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“Doe medula e salve vidas”: campanha do Hospital do Câncer alerta sobre a importância de ser doador

Instituição se une aos grupos 5ml de Esperança e Salve +1 para conscientizar sobre o tema; Entenda como é feito o procedimento que pode salvar vidas

Em muitos casos, para pacientes com doenças que comprometem a produção normal das células sanguíneas, como leucemias e outras neoplasias, o transplante de medula óssea pode ser uma importante alternativa para o tratamento e a cura de sua condição. Com isso, um novo desafio deve ser enfrentado na luta pela vida desta pessoa: buscar um doador compatível; processo em que a chance de encontrar uma pessoa que a compatibilidade seja de 100% é de 1 em cada 100 mil. Diante deste cenário, tornar-se doador de medula óssea pode ser uma forma de salvar vidas e oferecer esperança a quem aguarda uma doação. Por isso, o Grupo Luta Pela Vida e o Hospital do Câncer em Uberlândia se unem ao 5ml de Esperança e Salve +1, grupos empenhados na conscientização sobre a importância da doação, e lançam a campanha ‘Doe Medula e Salve Vidas’ com o propósito de estimular para que mais pessoas se tornem doadoras, oferecendo informações sobre o processo por meio de vídeos disponibilizados nas plataformas digitais do Hospital e pelo site doemedula.org.

A medula óssea é um tecido presente no interior de vários ossos do corpo humano e o transplante é uma forma de tratamento utilizado em casos de doenças graves que afetam a medula, e fazem com que ela não seja capaz de realizar a sua função de produzir as células sanguíneas e do sistema imunológico, como as hemácias, leucócitos e linfócitos. No transplante, a avaliação da compatibilidade entre o doador e o paciente é realizada visando evitar o risco de rejeição e complicações graves, e em casos em que o doador é completamente compatível, as complicações são menos frequentes. O obstáculo está nessa busca, já que estatisticamente seria mais fácil ganhar na Loteria Federal em que se acerta uma aposta a cada 83 mil tentativas, do que encontrar alguém que a compatibilidade é de 100%.

Sabendo o desafio que é a procura por doadores compatíveis em procedimentos de transplante de medula óssea e a importância que o gesto possui, o Hospital do Câncer em Uberlândia junto aos grupos 5ml de Esperança e Salve +1, realizam a campanha ‘Doe Medula e Salve Vidas’, como comenta o supervisor de marketing do Grupo Luta Pela Vida. “A realização de um simples cadastro e a disposição em realizar o procedimento de doação de medula óssea podem salvar uma vida em qualquer lugar do mundo e quem precisa de um transplante não pode esperar. É nosso propósito alertar a sociedade sobre os cuidados e o combate ao câncer, e o transplante é uma forma de tratamento para os tipos de câncer que afetam a medula. Esperamos que através da informação, conhecendo melhor sobre o procedimento de doação, mais pessoas estejam dispostas a oferecer esperança a pacientes que aguardam o transplante”, destaca Alexandre.

O advogado, Gabriel Massote, é fundador da Salve +1, receptor de medula óssea e sabe bem o valor de cada cadastro realizado para doação. “Fui diagnosticado com leucemia, muito jovem ainda, e no meu caso o tratamento para atingir a cura necessariamente envolvia a busca por um doador compatível e isto não é fácil, a chance de encontrar um doador é de 1 a cada 100 mil cadastros. A chance é muito pequena e no meu caso havia uma pessoa no mundo inteiro compatível comigo! A mágica de se tornar doador é que, como na loteria, alguém poderá ser premiado e no caso é premiado com a vida salva. Isso me fez ter novas percepções sobre a necessidade de termos um olhar mais atento às outras pessoas”, comenta Gabriel.

Saiba como é o processo para ser doador de medula óssea

Para ser doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado de saúde, não ter histórico de câncer, de doenças que afetem o sistema imunológico ou que possam ser transmitidas pelo sangue, como a hepatite e o HIV. Se encaixando nessas características, o primeiro passo para se tornar doador é procurar o Hemocentro mais próximo, onde será realizado o preenchimento de uma ficha cadastral com dados pessoais e a coleta de 5ml de sangue para exame de tipagem HLA. As informações são direcionadas para o REDOME – Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, órgão que está sob coordenação do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e é responsável pela manutenção dos dados de todos os doadores voluntários registrados no Brasil e pela identificação de possíveis doadores.

Com o cadastro realizado, surgindo algum paciente que seja compatível, será solicitada a confirmação da condição de doador e a realização de testes adicionais para comprovação da compatibilidade e verificação da condição de saúde.

A etapa seguinte já será a realização da doação, como detalha o hematologista do Hospital do Câncer, Dr. Elmiro Ribeiro Filho. “Há duas formas de realizar a doação. A primeira é pela coleta de medula óssea através de punções na região do quadril, um procedimento que dura cerca de 90 minutos, ocorre em centro cirúrgico sob anestesia e demanda uma internação de 24 a 48 horas. A segunda forma é a doação por aférese, em que o doador faz uso de uma medicação (por cinco a sete dias) visando aumentar o número de células-tronco circulantes no sangue. Após o período da medicação, é realizado um exame de sangue para confirmar se a contagem de células-tronco precursora hematopoiética (CTPH) está em nível adequado, a seguir é então realizada a doação por meio de uma máquina de aférese que colhe o sangue da veia, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Nesta modalidade de doação não é preciso internar o doador ou utilizar anestesia. Tudo é feito pela veia”, explica o especialista que ainda esclarece sobre o período após a doação. “Levam apenas 15 dias para que a medula óssea do doador se recomponha e normalmente, após a primeira semana depois da doação, eles já podem retornar à rotina. Em alguns casos, nos três primeiros dias após a doação, o doador pode sentir um desconforto localizado, de leve a moderado, mas que pode ser amenizado com medidas simples e uso de analgésicos”, finaliza Dr. Elmiro.

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